sábado, 23 de maio de 2009

Companheira Indesejável

Achei que já tinha publicado esse texto que escrevi, mas acho que não!

Daí como o Geovani ficou achando que era mentira, segue a história verídica, com todos os detalhes... hehehehe


Escrito em 03/05/2005.

Companheira Indesejável

Ela atravessou a rua com toda a classe e elegância que tinha. Blusinha meia-manga, jaquetinha de brim, saia de brim - meia-perna, bota preta de cano alto, tudo muito elegante. O destino era a parada de ônibus, não muito elegante, mas ela estava muito segura de si.
Enquanto esperava por sua condução, notou que havia algumas baratas perambulando pela calçada, porque alguém havia colocado veneno por ali. Normal, ela não ia se deixar abater por causa daqueles seres desprezíveis, minúsculos e sem importância. Volta e meia dava uma olhadinha para baixo, para certificar-se de que elas não sairiam do seu lugar para incomodar aquela tão “classuda” moça. Sob o olhar atento de um senhor sentado, também à espera do ônibus, ela fingia não se importar com as baratas que iam e vinham, de um lado para o outro, embora estivesse com receio de uma delas resolvesse ir até onde nenhuma barata jamais esteve: suas pernas!
Passados alguns segundos após esse pensamento grotesco que tivera, Malu sentiu algo batendo em sua perna direita, o botão da saia, pensou ela, mesmo assim resolveu verificar. E eis que lá estava ela, a terrível e ameaçadora... barata! Grudada em sua meia de nylon, a barata tentava escalar a perna direita sem o mínimo pudor, sem nem ao menos pedir licença! E foi então que o desastre começou... Como se estivesse dançando uma chula ou um frevo alucinante, toda a pose de Malu foi por água abaixo. Sapateava pela calçada como se pisasse em brasa quente, tudo para se livrar da visitante indesejada.
Já mais calma, com a certeza do dever cumprido, Malu dirigiu-se para o outro lado da parada de ônibus, explicando, a todos que estavam olhando para ela sem entender nada do que acontecera, que uma barata inescrupulosa subira em sua perna, mas já estava tudo resolvido. Logo em seguida, o ônibus aguardado chegou e todos entraram, comentando sobre como são nojentos e indesejáveis esses bichinhos voadores.
Uma moça muito simpática sentou-se ao lado de Malu e foi contando sobre suas próprias experiências com as tais – as baratas!!! De repente, Malu sentiu em sua coxa esquerda, na altura do bolso da saia, um carinho delicado de perninhas que se moviam rapidamente. Apavorada, Malu deu um tapa em si mesma – no local por onde a tal movia-se – e falou para a moça ao lado:
“Ela está aqui! Dentro da minha saia!”
Um misto de horror e riso apareceu em sua face e, sem dúvidas, Malu falou para sua vizinha de banco:
“Com licença, preciso levantar e tirar essa barata daqui.”
No corredor do ônibus (quase lotado), Malu sapateava e debatia-se freneticamente, tentando assassinar a tal barata exploradora, sob o olhar espantado de todos os passageiros. Rapidamente, o cobrador do ônibus perguntou:
“O que foi que aconteceu com a senhora?”
“Uma barata!”, respondeu a moça que conversava com Malu.
“Onde?”
E, após Malu tentar várias vezes, sem sucesso, responder, apenas apontando para sua perna, a vizinha solícita cochichou no ouvido do rapaz:
“Dentro da saia dela!”
“Ah! Bom! Daí eu não posso fazer nada!”
E foi então que a galera do ônibus caiu na gargalhada. Teve até alguém no fundo do coletivo que gritou: “Então tira a saia!”, que era o que a garota queria mesmo fazer! Até já tinha pensado: “Com qual calcinha estou vestida hoje mesmo?”.
Por uns momentos, ela até pensou estar apenas inventando tudo aquilo, que não passava de um mal entendido, um fricote até. E foi então que resolveu sacudir a saia, apenas para se certificar que estava enganada. Respirou fundo, pegou a ponta da saia e chacoalhou, e foi então que... voou uma perna de barata pelo corredor afora!
Malu então suspirou, arrumou-se sem mexer muito na saia, para não correr o risco de encontrar o resto do corpo assinado dentro de sua saia, e sentou-se novamente, aguardando pela viagem mais longa do trabalho até sua casa, para chegar e encontrar a companheira indesejada lá, morta, esmagada, dentro da saia!

2 comentários:

Daniéli Busanello disse...

Oi Lily! Adorei o teu blog! É um encanto!
Vi que você é do sul, também sou... moro em São Leopoldo, e você?
Beijo!

Ju disse...

Oi Lily...passei agradecer a visita ao meu blog..fique à vontade pra levar os gráficos...essa história é muito boa...kkkkkk...eu faria igual ou pior...bjos!!

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